Por Rebeca Del Monaco


Há duas gerações anteriores a de hoje, era muito comum, quando um adulto se deparava com uma criança agitada, ”baguncenta” e inquieta, ou mesmo as que choravam muito. E as que falava o que pesava, sem qualquer tipo de filtro! Estes adultos as classificavam de “mal educada”, ou “mal criadas”. Alguns até alegavam: “este não tem pais?” O que era bem certo: “todos concordavam que os pais eram os únicos responsáveis”.
Hoje isto já não é bem assim. As crianças que perturbam são classificadas como Hiperativas, autistas, ou qualquer outro tipo de doença. Isentando os pais sobre qualquer tipo de responsabilidade no comportamento de seus filhos.
Nenhum dos modelos acima é correto. Mas também não são totalmente errados. O certo é que educar uma criança, não é uma tarefa simples. Requer muito tempo, esforço e maturidade de quem se propõe a esta tarefa.
Pegando o significado da palavra educação, vemos que é o ato ou processo de educar. Educação é a aplicação de métodos próprios para assegurar a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano. Que exige toda uma didática. Educar é dar a alguém os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento de sua personalidade. Quem educa transmite o saber ao que é instruído.
Quando falamos de educação infantil, não podemos, nunca, deixar de falar da família e a construção de uma pessoa, que se inicia no meio familiar. Não importando o modelo de família. Levando-se em conta as crianças que crescem em instituições, pois não têm como viver com suas famílias de origem. Mas ao crescer e se desenvolver estas relações irão se ampliar para as diferentes relações. O desenvolvimento de uma criança, pré- adolescência e adolescência, passa por várias outras relações e ambientes. E em cada um destes lugares irá contribuir para seu desenvolvimento ou não. Em todos os lugares por onde o ser humano passa, ele pode ter a oportunidade de crescimento e amadurecimento.
Vamos para onde tudo começa. Toda criança nasce de outro ser humano, isto é de uma mãe ou de um pai. Não importa se um deles irá criar esta criança, ou ambos, ou nenhum deles. O que é certo é que esta criança tem características de ambos. E sua constituição, física, mental, vêm de ambos. Mas sua personalidade e temperamento não. Pois isto é único, individual, próprio. E onde está criança cresce, este ambiente e as pessoas relacionadas irão lhe favorecer, ou não, o desenvolvimento de suas características pessoais. Como disse, anteriormente, educar é dar ao alguém o cuidado necessário ao pleno desenvolvimento de sua personalidade.
E como educar corretamente uma criança. Onde se pode, realmente, observar o pleno desenvolvimento de sua personalidade. Pois bem, os pais que geram filhos e assumem cuidar deles, que é a grande maioria, têm pela frente uma longa e delicada tarefa. Dizem que “quem tem cinco filhos educa dez”. Uma grande besteira. Pois se cada ser é único, quem realmente se propõe a educar dez, terá o trabalho de educar dez. Pois cada filho terá suas demandas e necessidades para se desenvolver. E como fazer isto então?
Em primeiro lugar os pais precisam ter consciência que cada filho é um ser único. E portanto não se podem ter padrões únicos. Alguns filhos são mais carentes que outros, existe a diferença de comportamento, a forma como cada um se comunica.
Segundo, os pais precisam entender que cada idade tem sua necessidade e característica diferente. As necessidades e demandas de cuidado e orientação variam a cada faixa etária. Os pais não pode exigir que seu filho de dois anos lave a louça, nem dar comida na boca de uma criança de sete anos, a menos que este tenha dificuldades intelectuais e motoras (associadas).
Terceiro, os pais não sabem exercer este papel de pai e mãe. Mesmo a família sendo uma estrutura social mais antiga do universo, e a mais comum, as pessoas não sabem exercer este papel da paternidade de forma natural, instintiva, Este papel é aprendido. Pode-se aprender através de exemplos familiares, conhecimento que vem através das gerações. Pode-se aprender observando outras famílias. Através da literatura, artes cênicas ou cinematográficas. E mesmo assim a maioria erra. Alguns mais, outros menos. E por que? Por que tudo isto é muito complexo. Pois estamos falando de vidas distintas. Duas pessoas distintas resolvem formar uma família. Fazem isto por afinidades de ideias e valores. Outros são movidos apenas pelos sentimentos e sensações. Este tem a chance de errar mais, pois suas ideias, personalidade e valores são camuflados pelas emoções e sensações.
Quarto fator importante de ressaltar é entender que as pessoas necessitam criar vínculos. Pois desta forma podem nutrir sentimentos como afeição, fraternidade, cuidado e amor. Quando um casal resolve ter um filho, dentro deles pode existir o mais lindo sentimento de responsabilidade. Irão planejar o que será preciso para receber este novo ser humano. Até mesmo fazem planos e sonhos. Mas só conhecerão esta pessoa após seu nascimento e passarem a se relacionar com ela. E a partir disto criarão seus afetos de amor, fraternidade e afeição. É por este motivo que os pais se relacionam de forma diferente com cada um de seus filhos. As vezes são julgados de amar mais à um, em detrimento do outro. E não se pode afirmar que ama todos os filhos da mesma forma. Pois isto não ocorrem em nenhum outro relacionamento, e não irá ocorrem em uma família. E os pais e filhos precisam saber disto, para que todos se sintam amados e respeitem as diferenças.
Quinto, o ser humano é o único dotado da capacidade e habilidade da fala. A partir da fala ele pode desenvolver a escrita. Existe muitas línguas e muitos alfabetos, muitas formas de se expressar. Mas ainda a tarefa de se comunicar parece ser inexistente em algumas famílias. Falar é nato ao ser humano. Mas comunicar ideias, valores, pensamentos, é muito difícil, e precisa ser aprendido. Uma família que se propões a ajudar seus filhos a se tornarem pessoas desenvolvidas e maturas, precisa se deter naquilo que comunica. Crianças pequenas mais aprender observando do que ouvindo. Se os pais dizem algo e fazem o oposto, já passaram a informação errada pera seus filhos. Valores pessoais são transmitidos para as novas gerações, através de atos e vida que refletem estes valores. Portanto a comunicação tem que estar coerente com as ações. Outro item importante é salientar que, assim com o ser humano aprende várias coisas, como andar, brincar, estudar, falar, ele também terá que aprender a se comunicar. Saber narrar um fato, entender como expressar seus sentimentos, saber falar o que lhe desagrada. A criança pequena atua tudo isto. Como assim? Ela não comunica o que está passando, mas expressa. Quando está com medo, chora. Quando tem raiva, bate. Quando está ansiosa, fica irrequieta. E assim teremos muitos outros exemplos. Os pais precisam ajudar seus filhos a comunicar tudo isto de forma verbal. Este é um trabalho longo, pois a cada fase da criança e adolescente terá uma demanda diferente e cada vez mais complexa. Por outro lado, os pais precisam saber se comunicar. Pais que não sabem fazer isto, dificilmente ajudam seus filhos a se comunicar. Muitos pais imaturos atuam seus sentimentos. Muitos pais não sabem expressar uma ideia. Isto pode ser o grande responsável pela maioria dos conflitos dentro das famílias. E o maior responsável pela dissolução das mesmas.
Sexto ponto é que educar leva tempo e dedicação. Não se pode querer que as crianças se desenvolvam sem o tempo de dedicação de seus pais. Hoje em nome de ter, deixou de lado o fazer juntos. Pais se dedicam muito ao trabalho, com a finalidade de não “frustrar” o filho e dizer não para o que não se pode dar. Se dedicam, em demasia, para obter bens, negligenciando o tempo necessário para educar. Muitos pais se dedicam a si mesmos, de forma egoísta, estão mais preocupados em sua autoimagem e em si menos. Se esquecem que um dia decidiram ter filhos, quanto mais gastar tempo em educa-los. Mas falando em simplicidade. Já observou uma criança brincando na beira e uma praia? Basta colocar um balde ou simplesmente deixa-la livre correndo com as ondas. Ou uma criança com um giz na mão e uma parede. Que festa que faz! Crianças são simples. E quanto aprendizado e quantas lições os pais podem dar e receber com esta criança? Hoje a tecnologia é necessária, mas não é a essência.
Sétimo, a criança precisa aprender o que é certo e o que é errado. A criança não nasce sabendo o que pode, o que deve e o que é proibido. Ela não tem discernimento do que seja perigoso. Quem tem que instruir a criança são os adultos. E para que isto ocorra ela precisa ser orientada, é preciso conversar com a criança. É preciso que seja alertada, do certo e do errado. E se for preciso, o uso da correção. Que não envolve agressão física, mas sim um processo disciplinador. O que ocorre, em muitas situações é a criança ficar sem a conversa. Não tendo a conversa com os adultos, não sabe o que é certo e o que é errado. Em consequência disto os pais se irritam e partem para a correção, que muitas vezes são agressões físicas ou morais, com palavras inapropriadas. Ensinar a criança saber o que é certo e errado, irá depender dos valores que seus pais têm da vida. E o que eles julgam como certo e errado.
Em seu livro “Sete necessidades básicas da criança” John M. Drescher diz que toda criança precisa de Deus. Valores pessoais são o norte para uma educação. Sem estes valores não se pode saber para onde ir. E Deus é o valor maior. Foi Ele que nos amou primeiro e por este motivo podemos amar. Foi Deus quem nos fez únicos. Ele sabe quando nos levantamos e sabe o que vamos falar. Foi Deus que nos ensinou o certo e o errado. Deus nos ensinou como se deve relacionar uns com os outros. Deus nos ensinou a perdoar. Ele, no relacionamento da trindade, nos mostra como ser em conjunto. Deus nos transmite valores através de sua palavra, que nos orienta como sermos boas pessoas, bons parceiros, bons educadores. Deus ensina como ser um bom pai.

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